sábado, 13 de setembro de 2008

Do choro e do No Te Va Gustar

Todo mundo que me conhece sabe que eu sou chorona - e isso inclui amigos, vizinhos, parentes, caixas de supermercado e cobradores de ônibus. Mas poucas coisas têm me feito chorar tanto nos últimos tempos como a música Clara, da banda uruguaia No Te Va Gustar.

Não sei o que há na combinação de uma letra super emotiva e triste com uma melodia intensa que me faz chorar. E é sempre que ouço a música. Tá certo que só piora as coisas a combinação de fatores como ser um canção sobre a morte da tal Clara e a saudade de alguém que fica só sem ela, mais o fato de eu querer nomear um bebê meu com esse nome um dia. Mas tudo isso não é motivo pra aguém se acabar em lágrimas quando toca uma música.

Aliás, não é mais só quando a escuto. Já choro apenas em pensar sobre a canção ou ao comentá-la com algém. Se eu tento reproduzir o refrão (mesmo que o traduzindo), pronto, começo a soluçar antes da segunda frase.

Fato é que os caras vêm a Pelotas na próxima sexta-feira e eu, provavelmente, chorarei ouvindo Clara ao vivo no Sete de Abril. Sofrerei mais uma vez pela moça/senhora/mulher que se foi e pelo anônimo que triste ficou a sonhar encontrá-la em outro plano. Vale à pena. Não que eles sejam a minha banda uruguaia favorita, mas sem dúvida está entre as melhores da banda oriental.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Da boa intenção - e do Google


Googlear a si mesmo de vez em quando faz bem. Buscando por "Aline Reinhardt" achei umas coisas bem bobas, mas vi que já não são tão numerosas as páginas com meu nome em listão de vestibular - o da Católica nem aparece mais, só alguns da UFRGS e uns poucos da UFPel -, descobri que uma pessoa com o mesmo nome que eu migrou para os Estado Unidos em algum ponto do século XIX e que meu nome aparece numa infinidade de blogs.

O que me irritou nessa autopesquisa foi ver que existe uma alemã [provavelmente, pela língua dos sites que vi] com o mesmo nome que eu. Eu gostava de pensar ser exclusiva. E me irritou mais ver que uma citação minha aparece totalmente distorcida e poderia comprometer minha carreira - pelo menos na cidade - com a interpretação pra lá de exagerada e distorcida que traz. Mas não dá nem pra reclamar, quem mandou não ter lido antes, quando ainda era tempo?

Mas essa desconexão de falas, esse recorte do que eu disse, intercalado por interpretações que eu não gostaria de ver vinculadas, a colagem em desordem dos trechos, tudo isso, me faz refletir ainda mais sobre o que podemos e o que não podemos fazer com o que as pessoas dizem. É complicado fazer uma enunciação de outra pessoa se encaixar no meio de um texto, no meio de uma linha de pensamento que é tua e da qual o enunciador nunca poderá fazer parte, nem que se queira. É complicado também deixar quem falou com vergonha de si mesmo. E mais complicado ainda pensar nas inúmeras vezes que eu, sem querer e na melhor das intenções, posso ter feito isso e em todas as vezes em que ainda virei a fazer.

Tenho boa intenção. Mas ao mesmo tempo sei que de boa intenções o inferno (se o há) está cheio.

Apesar das sutilezas, ainda acho que trabalhar com isso é mais tranqüilo do que lidar com números, ou pior, vísceras. E qualquer calombinho na pele já se enquandra nessa definição.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Da última chance

Eu ando tão sem tesão para fazer tudo... tirar uma folga para fazer esse último semestre de faculdade não está sendo produtivo como eu achei que poderia. Sabe aquelas coisas de "este semestre eu vou ler toda a bibliografia, fazer todos os trabalhos, vou dar um supergás no TCC no primeiro mês e ainda vou emagrecer e parar de roer as unhas"? Pois é, não está dando tão certo assim. Pra falar a verdade, a bibliografia completa das matérias eu já desisti de ler faz tempo, mas o resto eu pretendia cumprir. Mas, de resto, nem meu TCC tá saindo direito. E até mijada eu já levei [mais que merecida].

Agora, por exemplo, eu estou escrevendo aqui ao invés de escrever o que eu tenho de escrever. Me distraio com qualquer bobagem e simplesmente não consigo dominar minha concentração. De dia o telefone toca, o cachorro late, o vizinho grita. De noite não posso fazer barulho se quero tomar um café e eu tenho quase certeza que a superaudição noturna da minha mãe distingüe o som do teclado.

E eu me detesto em gastar energia pensando nessas coisas ao invés de pensar no que interessa de verdade, fazer as coisas da faculdade. E não vai haver um próximo semestre para eu prometer ler tudo ou emagrecer a tempo da formatura. And this freaks me out!, já que não me ocorre nenhuma expressão em português que traduza esse pânico de tudo que eu estou sentindo.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Do sonho e da insônia

Desde o fim de semana, mais ou menos, todos os dias sonho com famílias assassinadas. Assisto e me assusto a uma cena que se repete enquanto durmo. As caras mudam, o cenário muda, os assassinos mudam, mas é sempre a mesma coisa: dois homens de apareência bizarra matam, a tiros, uma família do tipo pai-mãe-filho-filha. Quando me acordo e penso no sonho, não me admiro. Ler A sangue frio, do Capote, antes de dormir produz esses efeitos.

Mesmo com os sonhos, só depois de 300 páginas do relato, finalmente o livro me tirou o sono. Ficar impressionada com um bom livro, chorar e me assustar é comum. Mas a frieza de detalhes do assassinato simplesmente me impede de seguir no livro ou de voltar pra cama. Fugi dessa ficção que não é ficção como se a estivesse vendo. São quase seis horas da manhã de um dia cheio e eu estou aqui, totalmente desperta, fugindo de uma obra literária escrita duas décadas antes de eu nascer. Larguei o livro vermelho que virou um punctum na minha cabeceira e corri para o banheiro.

O livro me olha. A narrativa me chama. Mas meu lado infantil de ter medo de tudo que me contam está mais forte. Acho bobo me impressionar, mas assim como a criança que vê filmes de terror ciente dos pesadelos que virão, sigo lendo o texto que, não sei por que, me atrai e me agrada ao mesmo tempo que me arrepia e me causa repugnância.

Quem aqui me lê [se é que alguém lê] tem todo o direito de pensar "como é boba, não sabe nada sobre a violência e a maldade". Eu dou graças por isso. E durmo com um dos olhos abertos.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Do medo à opressão

Cada vez me impressiono mais com a falta de sintonia dos três poderes brasileiros entre si e deles com as novas tecnologias. A Resolução 22.718, do TSE, mostra perfeitamente o medo que o pessoal que decide as coisas por nós tem da Internet. Sem poder controlar o que acontece neste mundinho virtual no qual nos encontramos, proíbe-se. Proíbe-se como se fosse saudável proibir manifestações que gerem debate, que gerem discussão e, sendo otimista demais, e, talvez ingênua, proibem manifestações de apoio que poderiam levar a uma escolha certa, a um bom candiato, a uma boa proposta, a uma mudança na política nacional.

A tal resolução, em seu capítulo IV, parágrafo 18, afirma que "a propaganda eleitoral na Internet somente será permitida na página do candidato destinada exclusivamente à campanha eleitoral". Tá certo que ninguém está a fim de de ver milhões de banners com a cara de candidatos em seus sites favoritos, mas acho que o pessoal da Publicidade e Propaganda já sabe disso. Estamos falando de coibir formas de interação social por meio de Orkut, MySpace e o que mais tiver por aí. Isso me parece ferir aquele direito básico que temos de conhecer todos os candidatos e saber o que eles estão propondo. E, até que me provem o contrário, 15 segundos na TV depois do almoço para cada candidato a vereador não são muito eficazes nesse sentido.

Será que falar pelo MSN para tirar dúvidas sobre a plataforma política ou receber a resposta de um email no qual se pergunta sobre os projetos do candidato para uma área X também vão caracterizar propaganda na internet? Ou quem fez essa resolução não sabia que a internet vai bem além de se manter um site? Me irrita ver que a resolução não traz explicações precisas, limita sem um motivo claro e aparece na nossa frente sem um debate prévio na sociedade.

Imagine o caos se tudo o que fugisse do controle de quem manda - por pura falta de legislação coerente - fosse proibido? Ninguém pode controlar o que conversamos, o que defendemos para nossos amigos entre uma conversa boba e um filme. Ninguém pode entrar em nossas casas e controlar os pensamentos políticos que temos e defendemos. Mas se eu fizer isso na internet, posso estar causando um tremendo prejuízo ao meu candidato.

Vai ter gente fazendo campanha a favor do candidato oponente na internet só pra ferrar ele. E os perfis falsos? Vai ter marketeiro fazendo perfil de bonzinho no Orkut em nome do candidato A, mas na verdade el trabalha para o candidato B. E quem prova? E se alguém mandar spam em nome do adversário? Não dá pra dizer que na política do Brasil se jogue limpo...

Eu quero saber sobre os diversos candidatos sem ter que passar horas vendo programas eleitorais gratuitos na TV. Eu quero poder contatar meus governantes antes que eles cheguem lá. E quero fazer de forma aberta, plural. Mas a opção que nos colocam é que procuremos apenas as páginas oficiais daqueles candidatos que já conhecemos, aquelas carinhas de sempre. Será essa uma tentativa de perpetuar os que já chegaram lá?

...

Mais disso na Folha

Com relação à internet, a resolução não é longa, vale a pena ler.

[foto: World control. http://sxc.hu]

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Do que ficou pra trás

Ando preocupada com umas coisas aqui de dentro. Seguido me pego fazendo beicinho ou de cara amarrada sem saber por quê. Antes, eu reclamava por não ter tempo para nada. Agora que eu tenho tempo, com estágio e semestre finalizados, vejo o lado positivo de estar com a mente sempre preocupada. Sem uma obrigação na qual pensar enquanto escovo os dentes ou tomo banho, começo a divagar sobre tudo o que deveria estar bem escondido e só aparecer em sonhos. O tal do subconsciente, sabe.

Refletir sobre mim mesma e meu sentimentos quanto às coisas e às pessoas pode ser um bucado dolorido depois de se passar um ano colocando todo o resto no topo da lista sobre o que pensar. Não tinha me dado conta de quanta coisa ficou mal resolvida neste último ano, de como fui só levando, enquanto os deveres se acumulavam e os prazos expiravam.

Sentimentos parecem não ter prazo. Mas, e se eles têm? Será que eu deixer vencer e perdi minhas chances? Será que já passou tempo demais para eu pensar como realmente me sinto frente a tudo ou ainda dá tempo de dizer algumas coisas e de defender algumas coisas? E o quanto será que minhas opiniões mudaram neste último ano e eu nem vi elas mudarem? Mudar aos pouquinhos, em doses homeopáticas, não dói. Mas, e se eu derrepente me der conta de que mudei, que sou outra, que a Ali que eu visitei no último balanço interno não está mais aqui?

Mudar e fechar etapas. Deixar coisas mal resolvidas para trás. Correr e tentar recuperar o que ficou. Será que essas coisas coexistem? Será que vou conseguir me entender? Será que alguém vai conseguir me entender?

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Do amor - e desamor - às séries

Quando eu comecei a assistir Friends, a Jennifer Aniston já era a Jennifer Aniston e a Courtney Cox já era a Courtney Cox. Elas já existiam, por assim dizer, como personagens de um mundo exterior à série. Claro que nada perto do que a Jennifer é agora em termos de fama internacional. Amo Friends até hoje, mas, mesmo assim, saber o que se passa com os atores fora da série de vez em quando diminui o encantamento. (É como ver The New Adventures of Old Christine. Eu rio e tudo, mas ela sempre será a Elaine do Seinfeld pra mim).

Na minha mais nova série favorita – e mais recente vício televisivo -, The Big Bang Theory, o encantamento está durando. Evito até mesmo ler os nomes dos atores na vinheta de entrada do programa para não misturar as coisas. Gosto, como todo mundo, de me envolver com as personagens, e não saber nada sobre os atores que os interpretam parece me ajudar nisso.

Como posso torcer pelo futuro das personagens sabendo de escândalos que seus intérpretes – seus rostos, vozes e corpos – se meteram? A ilusão diminui, volto minha atenção para o meio e, pronto, minhas risadas já não são tão sinceras.

Esse mundo de faz de conta ainda se mantém porque estou longe do país de origem dessas pessoas e, em certo grau, imune à indústria da fofoca de lá. Para isso, evito alguns sites e canais inclusive. O Vídeo Show, por exemplo, nunca me deixou torcer pelas Helenas das novelas da Globo.

Mas, eu sei, assim que a Ilustrada trouxer uma enorme análise (com infográficos!) da reverberação de algum fato trazido à luz dos flashes da imprensa marrom, BAM!, lá se vai minha torcida pelo desenrolar da história.

Bons tempos do Seinfeld, em que tudo isso não importaria. A vida dos personagens nunca ia a lugar nenhum mesmo, e nem por isso deixavam de ser incríveis. O segredo era nunca evoluírem.