sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Da busca da inspiração em um pote de sorvete

Sei que jornalismo é mais transpiração que inspiração. Estar inspirado é um mero detalhe. Mas eu não consigo fazer algo do jeito que eu quero sem estar inspirada para encaixar as coisas em seus devidos lugares. Não é o gelado cor-de-rosa que vai me dar a resposta, mas o sorvetinho sempre ajuda a refrescar a mente. Escrever ao léu também. mas o cansasso me agarrou pelos braços e o desanimo aproveitou para me torturar. Ô vontade de nada fazer ficar assim, só só, sem nada nem ninguém nem coisa alguma. Já tô numas de torcer pra ficar doente. E a impressão que eu tenho é de que tem um buraco no meu estômago e o sorvete está se espalhando, gelado e corrosivo, por todas as minhas víceras.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Do drive-in

O cinema foi fechado e nem tiraram os cartazes dos filmes da porta. O balcão da bomboniere está lá ainda e eles não têm a menor vergonha de abrir aquele drive-in tosco com uma tela apagada vista por carros vazios.
O ridículo amarelo ovo com o qual pintaram a fachada mostra bem o horror e a pressa com a qual acabaram com o Capitólio – o último bastião dos cinemas de calçada – em Pelotas. Nem pensaram se ia ficar bonitinho.
A alegação: falta de público. Acredito. Mas, que eu me lembre, do pouco que sei de marketing e economia, a concorrência faz o sucesso do negócio e o monopólio mina o espírito capitalista do empreendimento.
Dois cinemas, mesmo dono, nada de promoções, filmes que chegam meses depois do lançamento - existe um calendário de estréias no Brasil e outro (se é que existe) em Pelotas -, altos preços, nenhuma campanha para atrair público, nem propaganda! Queriam o quê? Milagre econômico? Deve ser a crise no mercado imobiliário norte-americano.
Pra piorar, são desinformados. Saiu no DP: o dono do prédio – e atual feliz proprietário do único estacionamento com isolamento acústico da cidade – disse que Tropa de Elite é um fracasso de público, contrariando as expectativas do setor. Se a segunda maior bilheteria em estréia na história do cinema nacional é um fracasso, por favor, que venha o sucesso que nós precisamos.
Mas que tragam esse blockbuster para Pelotas enquanto ainda está fresquinho, se não todo mundo já vai ter visto. Inclusive a tia que atendeu o telefone no falecido Cine e disse que o Tropa, “hi, esse nem tem previsão de vir. Mas eu já assisti. Em DVD viu?”

Da inutilidade [ou Do Vietnã]

Santa inutilidade: acabo de ficar sabendo de uma tal vídeo comprometedor [a la Paris Hilton] de uma estrela teen do Vietnã.
E eu com as estrelas teen do Vietnã e seus videozinhos pseudo pornográficos?? Vem cá, a troco de que um negócio inútil desses vem parar aqui no Brasil. Tudo bem, pode-se dizer que somos todos viventes de países subdesenvolvidos, devemos compartilhar nossas coisas, mas e daí? Como é que o vídeo da criaturinha essa [Hoang Thuy Linh é o noem dela] chega ao interior do Rio Grande do Sul, mas eu nunca ouvi falar de um escritor vietnamita?
Sim, porque devem existir escritores, afinal, se nós temos de dizer "sim, e Clarice" a todo o estrangeiro que diz "Brasil; Pelé!" (vide LFV), os vietnamitas provavelmente devem ter uma resposta para "Vietnã, guerra".
E antes que eu me revolte - como diria o Ariel -, é realmente impressionante a troca de informação inútil mas que é interessante para um monte de gente de alguma forma e que acaba fazendo com que a internet seja o que é: diversa e útil para todos os fins, meio para milhares, fim em si mesmo para alguns, uma realidade distante para outros tantos.
Em tempo: segundo informações, a guria é estrela da "malhação" do Vietnão [será que tem alguém que precisa limpar o resumo da malhação de lá para publicar no jornal?] e saiu do ar por causa do vídeo. Aqui por essas bandas já não é grande coisa. Volta e meia aparecem vídeos assim e todo mundo comenta mas o auê é cada vez menor. Outro dia apareceu um videozinho de uma High School Musical, e, ao que me consta, não houve muito frenesi. A gurizada já tá achando normal.

E alguém me indica um escritor vietnamita?

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Do erro

Foi toda a minha energia naquele e-mail. Preciso fazer coisas simples, como escovar os dentes, e não consigo. Não consigo. Fiz o que não podia fazer e agora me desculpar parece insuficiente. Erro pequeno, dois toques. O suficiente para um turbilhão de sentimentos e dessentimentos orquestrados pela culpa. Desculpa.
Parece que nunca mais vai ser o mesmo, nunca. Vai ficar como se nada tivesse acontecido, e aquele elefante sentado entre um e outro lugar. Perdi por ficar inerte, errei por tentar nada fazer e fazer.
Desculpo-me. Culpo-me. Detesto-me.
Nada nada nada faço, simplesmente reclamo. 'Reclamar é desperdício de energia', mas que importa a quem não mais as tem.
Estouro bolhinhas para me lembrar da impaciência e do humor instável que estranhamente adoro.
Dois dedos; dois toques; uma pressão. O suficiente para estourar a bolhinha e não mais ser.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Do sono

Não sou do tipo que acorda de bom humor, dizendo 'bom dia, dia! bom dia, amigo sol! bom dia, amiga árvore!". Me vejo mais como um personagem de desenho animado, que tenta dormir e alguém o puxa pelos pés para tirar da cama, e ele se agarra no travesseiro - até porque o travesseiro de desenho animado é uma âncora que não sai do lugar e prende a criatura na cama.
Faz tempo que não durmo como gosto, até acordar cansada de tanto dormir. Tô pra ver alguém que se sinta tão feliz como eu dormindo. Ultimamente me sinto culpada por ficar na cama até tarde, sempre acho que tem outra coisa pra fazer que é mais urgente, mas estou que não me agüento mais. Quero minha caminha quentinha e confortável pra descansar pra valer.
Estou contando os minutos e os segundos para o feriado!

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Da entrevista com o Kleiton

Estou lá, sentadinha fazendo minhas coisas no jornal e toca o telefone: a Eliane me dizendo que o Jairo estava na recepção com "um outro senhor" e queria falar com o Pablo, porque tinha marcado. Interrompi a reunião de pauta pra avisar e ele me diz: já desce junto porque deve ser o Kleiton Ramil sobre o curso novo da Católica. Devo ter ficado num vermelhão total e meu coração disparou. Meu Deus, eu falando com um dos caras que eu mais gosto de ouvir!!?!?! Não!
E o pior é que ele é muito legal, muito gente fina mesmo, e a conversa foi bem legal. Não me deu muito trabalho - apesar de estar me matando pra parecer o mais inteligente possível e fazer perguntas pertinentes - porque o Jairo se comporta como entrevistador e não entrevistado e fez todas as perguntas que eu tinha para fazer.
Depois de me contarem vários pormenores do novo curso, que saciou a minha curiosidade mas não sei se eu soube traduzir na matéria, eu ganhei o dia [mesmo tendo ficado sem tinta na caneta bem no meio da coisa toda]. O Kleiton elogiou a maneira como eu conduzi a entrevista, e eu pensei: e lá eu conduzo uma entrevista??? Mas tá, ajudou pra me dar mais segurança e não me sentir uma noob completa no jornalismo. Tenho que me sentir um pouco noob sempre, isso eu sei, mas já é um começo eu não me sentir a-estagiária-excluída.
Fiquei hipercontente de fazer a matéria, apesar de ter sido algo bem simples. E até consegui me controlar mesmo com Jairinho me entregando. "Ela é uma grande fã da dupla".

Da falta de tempo e da criatividade esvaindo por entre os dedos

Faz tempo que eu não publico, mas existe um motivo. Não é total preguiça, é falta de tempo mesmo. Quando vi, passaram-se dois meses e muito assunto interessante sobre o qual eu gostaria de ter postado algo mas não rolou.
Também não posto mais minhas matérias porque elas são publicadas mais rápido do que eu posso respirar e pensar sobre colocar aqui ou não.
Entretanto [eu adoro essa palavra], entretanto eu sinto falta de ficar aqui, escrevendo sobre nada e sobre tudo, e por isso prometo a mim mesma postar mais coisas e não deixar a criatividade esvair entre os dedos.

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Li hoje uns blogs legais de gente bem novinha e que tem coragem suficiente pra botar a cara e dizer: ué, fui eu que fiz, não gostou não lê! Mas na real é que os textos são bons e eles não tem porque se envergonhar.
Eu não tinha coragem de mostrar conto nenhum pra ninguém quando tinha 14 ou 15 anos e acabei achando tudo uma porcaria e parei de escrevê-los. Me arrependo. Agora fiquei sem coragem de recomeçar a escrever ficção mesmo, e o que eu escrevi já perdi [ah... não sabia o quão bom era ter blog e internet banda larga era sonho naquela época].

Dito isso, vamos ao que interessa, a um post de verdade. Vide acima.

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PS: agora a pouco eu escrevia e alguém lia, sentado do meu lado, e eu não fiquei enlouqucida de vergonha e fechei tudo como fazia. Estou melhorando.